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HISTÓRIA DE FELIPE GUEDES

Algumas histórias começam com um plano. Outras, com a coragem de continuar.

Trabalho, fé, perdas e reconstrução: uma vida contada sem espetáculo, mas com a verdade de quem precisou recomeçar mais de uma vez.

5 min de leitura · Atualizado em 31 de agosto de 2026
Felipe Guedes
ANTES DO PRIMEIRO CAPÍTULO

Eu não escrevo estas páginas para transformar dor em vitrine. Escrevo para lembrar que ninguém é apenas o pior dia que viveu — e que, muitas vezes, continuar já é a forma mais silenciosa de coragem.

CAPÍTULO 01

Muitas casas, muitas mães

Nasci filho de Zilda, uma mulher que atravessou a maternidade sem o apoio do meu pai biológico. Minha infância passou por diferentes casas e referências de cuidado. Dilza, Marilu, Creusa, Rosalina, Marileusa e Etelvina formaram um mapa afetivo fragmentado, mas também foram as mãos que impediram que eu me perdesse por inteiro.

Durante muito tempo, enxerguei aquelas mudanças apenas como ausência. Crescer me ensinou a reconhecer também a presença: cada gesto de cuidado, por menor que fosse, ajudou a sustentar o menino que eu era quando ele ainda não sabia dar nome ao que sentia.

CAPÍTULO 02

O menino da carroça

Entre os oito e nove anos, vivendo em Embu das Artes, Felipe começou a recolher materiais recicláveis com uma pequena carroça. Ele recorda aquele instrumento com orgulho: não apenas como marca de necessidade, mas como ferramenta, movimento e possibilidade de contribuir com a casa.

O período também carregou episódios de violência e medo. O Cravamos não transforma essas memórias em espetáculo; elas aparecem apenas porque ajudam a explicar por que serviço, dignidade e segurança se tornaram valores centrais para Felipe.

“A carroça não era a imagem da falta. Para mim, era movimento: a prova de que eu ainda podia fazer alguma coisa.”
CAPÍTULO 03

A gráfica e o primeiro ofício

Por volta dos 12 anos, na gráfica Arte Final, Samuel lhe apresentou ferramentas de criação e corte. Segundo Felipe, em poucas semanas já preparava artes, materiais e aplicações. Ali começou a perceber que cor, proporção, fachada e acabamento mudam como uma empresa é compreendida.

O PlayStation 2 prometido nunca chegou. O que ficou foi outra coisa: uma compreensão precoce de marca, produção, preferência do cliente e responsabilidade por uma entrega.

CAPÍTULO 04

A eletrônica e o olhar autodidata

Na Gradualtec, ao lado de Val, Felipe observou consertos de aparelhos de som, televisores, micro-ondas, rádios, fontes e amplificadores. Aprendeu testando e desmontando mentalmente cada problema.

Esse hábito se tornaria a base de seu trabalho: não esperar dominar toda a teoria para começar, mas reconhecer padrões, fazer perguntas melhores e entender o sistema em funcionamento.

CAPÍTULO 05

O encontro com Pedro Moretti Guedes

Aos 15 anos, um exame de DNA identificou o médico Pedro Moretti Guedes como meu pai biológico. Quando o encontrei, ele já estava debilitado. Eu tinha chegado com anos de perguntas e descobri que algumas respostas cabem em poucas horas.

Conversamos sobre bondade, trabalho e futuro. Ao final, houve um abraço, um táxi e um Trident. Três meses depois, recebi a notícia de sua morte. A lembrança ficou pequena nos detalhes e imensa dentro de mim.

CAPÍTULO 06

Pedro e Joaquim Guedes

Pedro era irmão do arquiteto Joaquim Guedes, uma referência brasileira na arquitetura e no urbanismo. Essa história familiar não me entrega uma obra pronta nem substitui o caminho que precisei construir.

Eu não reivindico a trajetória de Joaquim como se fosse minha. Carrego o parentesco como parte da história da minha família e, sobretudo, como um lembrete de que cada geração precisa decidir o que fará com o nome e com as possibilidades que recebeu.

CAPÍTULO 07

Quatorze metros quadrados

Depois da morte de Pedro, Felipe saiu de casa. Trabalhou em uma loja de motopeças e, segundo seu relato, viveu sozinho dos 15 aos 17 anos em um espaço de pouco mais de 14 metros quadrados.

Havia um colchão, um micro-ondas, um cobertor e algumas roupas. Não existia discurso pronto de superação: havia conta, cansaço, trabalho e a necessidade concreta de chegar ao dia seguinte.

CAPÍTULO 08

Trabalho, estudo e sobrevivência

Felipe trabalhou em eventos, pintura e construção civil. Cursou três anos de Biomedicina, mas interrompeu o curso quando o estágio integral não remunerado se tornou incompatível com o aluguel e a sobrevivência.

Dos 15 aos 25 anos, o trabalho não foi uma fase. Foi a estrutura que manteve sua vida em movimento.

CAPÍTULO 09

A estrada para Toledo

Em 2018, Jusseli o incentivou a tentar uma vida diferente. O plano mudou de Santa Catarina para Toledo, no Paraná, depois que Luiz foi aprovado na UTFPR. Felipe garantiu que encontraria trabalho e embarcou.

Antes mesmo de chegar, procurou empresas. Marília não podia pagar salário, mas ofereceu almoço e contatos. Felipe aceitou e trabalhou como alguém responsável pelo resultado, mesmo sem remuneração.

CAPÍTULO 10

A primeira agência e Natália

Uma oportunidade na Catalisa ampliou seu contato com o mercado local. Depois, ao assumir marketing, tecnologia, site e redes sociais de uma academia, Felipe fundou a Impact.

Os contatos começaram a retornar. Vieram os primeiros contratos, uma operação maior e o encontro com Natália. A vida profissional e a família passaram a crescer juntas.

CAPÍTULO 11

O culto no último banco

Em dezembro de 2018, um panfleto recebido na venda de uma bicicleta levou Felipe a um culto. Ele entrou descrente, sentou-se no último banco e conta que saiu transformado.

Para Felipe, a fé não é um adereço da biografia. É parte de uma reorganização interior que passou a orientar família, trabalho e propósito.

CAPÍTULO 12

O dia em que tudo parou

Em março de 2020, com a pandemia e o fechamento do comércio, cancelamentos chegaram em sequência. A agência perdeu a sustentação em poucas horas.

Felipe caminhou para casa para ter tempo de chorar antes de encontrar Natália grávida. Ela respondeu que dariam a volta por cima juntos. A frase se tornou compromisso.

“Naquele momento, recomeçar não era construir uma empresa. Era voltar a dormir com a sensação de que o amanhã existia.”
CAPÍTULO 13

O colo de Iara e a reconstrução

Quando os recursos terminaram, Iara acolheu a família. Reconstruir, naquele momento, não significava erguer uma empresa. Significava recuperar segurança para dormir e pensar no dia seguinte.

O apoio familiar não é nota lateral na história: foi infraestrutura humana para o recomeço.

CAPÍTULO 14

Biopark: construir para permanecer

No Biopark, em Toledo, Felipe participou de uma formação empresarial que, segundo seu relato, reuniu finanças, jurídico, contabilidade, comercial, operação e governança.

A intuição acumulada desde a gráfica encontrou método. O aprendizado deixou de ser apenas capacidade de começar e passou a incluir a disciplina necessária para permanecer.

CAPÍTULO 15

O Cravamos e a próxima escala

O Cravamos reúne desenvolvimento full-stack, inteligência artificial, marketing, branding, produto e estratégia em uma operação editorial. Um humano dirige; agentes especializados ajudam; fontes, limites e decisões ficam registradas.

Felipe não apresenta sua história como pedido de pena. Ela funciona como compromisso: quem conhece o peso da informação, da oportunidade e do recomeço não deveria tratar pessoas como números ou tecnologia como brinquedo.

O menino não recebeu o PlayStation 2. Anos depois, passou a construir produtos, sistemas, marcas e experiências para telas muito maiores do que aquela que sonhava ter. A história ainda não terminou.

MEMÓRIA

Pedro Moretti Guedes

O pai que Felipe conheceu por poucas horas e carregou para o resto da vida. Médico em São Paulo, Pedro aparece na memória do filho por uma conversa sobre bondade, um abraço e um detalhe simples: um Trident.

Conhecer o memorial de Pedro

Referências públicas

Links externos usados para contextualizar os registros públicos mencionados no relato de Felipe Guedes.

Dignidade antes da curiosidade.

Esta história preserva dados médicos, documentos, endereços e informações privadas de pessoas vivas. Se algo precisar ser corrigido, há um caminho editorial claro.

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